19 de abril de 2018

OS PROFESSORES A PENSAREM NOS PROFESSORES

Acho muito bonitas estas manifestações dos professores sobre o aumento da carga horária. Porque precisam de tempo para preparar aulas. Porque passam muito tempo na escola. Porque ficam desgastados. Porque em consequência disto tudo as aulas não ficam tão bem preparadas, o professor não está tão disponível para dar atenção ao alunos e no meio disto tudo o mais lesado é o aluno.

Mas isto tudo e o que mais reclamam é a carga horária dos professores.

E então a carga horária dos alunos? Eles não sofrem com isso?

Quando eu andava na primária, eu tinha aulas das 8h às 13h. Eu tinhas as aulas normais e um dia de ginástica. Agora os miúdos tem aulas de manhã e de tarde, não sei se o número de horas na escola é o mesmo mas duvido. Os miúdos tem as disciplinas normais. Têm inglês, têm ginástica, têm música, têm informática, têm mais não sei o quê. Desculpem mas não estou completamente informada da variedade de disciplinas que existe. Nem vou dizer "no meu tempo é que era". Claro que não.

No meu tempo eu passava a manhã na escola e à tarde fazia os trabalhos de casa e via televisão. E se quisesse ter inglês, teria de pagar. E se quisesse ter música, teria que pagar. E o mesmo para outras atividades.

Acho muito bem que o ensino público disponibilize estas atividades extra-curriculares de forma gratuita. Só não concordo que prendam as crianças todos os dias à escola por tanto tempo.

Eu tinha liberdade para ver televisão a tarde toda, se quisesse e se não tivesse trabalhos de casa. E quem diz ver televisão, diz jogar à bola com o vizinho, ou ir para o quintal com a minha avó, ou brincar com as bonecas. Eu tinha liberdade e disponibilidade para fazer isso tudo.

E os miúdos de agora podem dizer o mesmo?

Eu andei numa escola de música praticamente toda a minha vida académica. Eu entrei na primária e só saí quando já andava na universidade. Eu tinha muita carga horária na escola de música e o meu tempo estava dividido quase em partes iguais pelas horas que passava na escola e as horas que passava na escola de música. E eu lembro-me de um ano em particular que foi o pior de todos. Eu entrava na escola básica às 8h30 e saía da escola de música às 20h30, três dias por semana. E nos restantes não era muito diferente porque saía às 18h30.

Mas essa carga horária era uma consequência das minhas escolhas. Eu escolhi andar na escola de música, porque eu tinha disponibilidade para isso. E os miúdos de agora, têm? E se eles não só quiserem andar na música, mas também quiserem andar no karaté, no ballet e na natação, como muitos dos meus amigos andaram? Terão igual disponibilidade para tal? E o que acontecerá quando ficarem sem tempo até para espirrar?

SABEM AQUELA HISTÓRIA DE "SE SOUBESSE O QUE SEI HOJE"?

Se eu soubesse o que sei hoje, ter-me-ia despachado mais cedo a escrever a tese para agora estar na minha caminha de papo para o ar sem tantas preocupações.

Era só isto.

NUNCA FIQUEI TÃO FELIZ POR OUVIR O SOM DO DESPERTADOR

Esta noite sonhei que tinha ido fazer um piquenique com toda a família e tinha sido atacada por um gato nas costas (só para verem como são traiçoeiros).


Eu tenho pavor a gatos.

16 de abril de 2018

A RELATIVIDADE DA JUVENTUDE

Avó - Sabes, há uma moça lá no centro que está sempre a cair.

Mãe - E tu que nunca cais!

Avó - Esta é diferente, ela cai para trás. No outro dia caiu para trás e hoje, ao entrar na carrinha, caiu outra vez.

Eu (na brincadeira) - Mas ela anda com uma mochila pesada às costas?

Avó - Não. E é uma moça nova!

Mãe - Moça nova de que idade? Da minha? Da Lady?

Eu - Oh, deve ter para aí uns 60 anos...

Avó - Sim, sim. É uma mocinha, só deve ter 60 anos!

15 de abril de 2018

DE VOLTA ÀS PERIPÉCIAS DA MINHA AVÓ

Mãe - Ó mãe, que creme é este? Eu não conheço isto.

Avó - Apanhei no chão da casa-de-banho.

Mãe - Olha que tu nunca te abaixas para apanhar os teus chinelos e foste-te abaixar para apanhar uma coisa que não é tua?! Eu já te disse que não tens nada que mexer na coisas das miúdas. Os cremes delas são delas, tu tens os teus!

Avó - Mas vós só me dais cremes que não prestam.

Mãe - Sim, sim... Continua assim que um dia ainda sais de casa com a cara castanha.

Avó - Oh... Grande coisa, também não gostei deste, por isso...




Era o meu primer da Laura Mercier.

DA LAURA MERCIER!!!


Ainda estou a chorar a quantidade de produto que a minha avó gastou!

13 de abril de 2018

ATUALIZAÇÃO

Habemus carteira!


E querem saber onde é que estava?


Em cima da minha cama, mas com uma almofada por cima.

ESTOU A PONTO DE CHAMAR A POLÍCIA JUDICIÁRIA

Perdi a minha carteira, onde estavam os meus documentos mais importantes e o pouco dinheiro que tinha. O pouco e quase único dinheiro que tinha.

"Eish, que azar!", estais vós a pensar.

Não. Não é azar.
 
É m-i-s-é-r-i-a.

Passo dias e dias sem tocar na carteira, sem precisar dela, e no dia em que pego nela para contar os trocos acontece-me isto.


Já vasculhei tudo: gavetas do quartos, as malas todas, bolsos dos casacos, gavetas da sala, gavetas da casa de banho. Até sacudi a roupa toda que estava no cesto da roupa suja não fosse eu tê-la misturado com os lençóis ao trocar a cama! E não fazia sentido nenhum ter tido tanto trabalho porque, como disse, eu só peguei nela para contar os trocos e tenho a certeza que de a tinha deixado em cima da cama ou na mesinha de cabeceira, mas como também esta semana fui encontrar as chaves da caixa de correio (que fui eu que as usei) no armário onde guardo o café, achei melhor averiguar as redondezas.

Entretanto, como daqui a pouco terei de sair de casa, ainda estou a decidir se me atreverei a conduzir sem documentos ou não.

19 de março de 2018

RÓTULOS

Tal como o título deste post diz, vou falar-vos de comida saudável. Sabem que uma pessoa já não vai para nova (c'mon, já só faltam sete anos e dois meses e meio para chegar aos trinta!) e tem que começar a ter mais atenção ao que come.

Inicialmente, quando comecei a controlar melhor o que comia e a prestar atenção ao rótulos das coisas que comprava para comer, como miúda nova que era na altura (há cerca de um ano e meio atrás) e que o único objetivo era emagrecer, a minha pessoa só tinha em consideração as calorias das coisas que tencionava comprar ou comer. Ui, que este iogurte grego tem quase trezentas calorias! Deixa antes comer uma gelatina desnutrida que tem só dez calorias e é praticamente açúcar mas não faz mal que o que interessa é não passar das mil e duzentas calorias diárias.

Okay...

Eu era assim, eu pensava assim, mas entretanto passaram-se vários meses e deu para perceber que não valia ter que fazer inúmeros cálculos mentais antes de cada refeição para chegar ao fim da semana e subtrair duzentas gramas ao meu peso. Gente, aquilo é que era exercício físico... ao cérebro!

Entretanto cresci (para os lados) e amadureci e comecei a ler mais rótulos de embalagens. Segunda fase: interpretar as tabelas nutricionais dos rótulos. Por 100ml de Ice Tea de limão eu consumo 8g de açúcar?! Então uma lata contém 26g de açúcar... isso são 4 pacotes de açúcar na veia... Whaaaat??? Ora então vai ser Coca-Cola Zero a partir de agora! E os tremoços, que são só o aperitivo mas por cada 100g ingerimos quase uma colher de sal?! Ai menino...

E agora a terceira fase: ler os ingredientes de cada produto. Sabem que, como eu disse, o tempo vai passando, eu já não vou para nova e tenho que controlar melhor o que ponho na veia, é que daqui a um enfarte é só um piscar de olhos! Então esta é que é a fase que me tem causado mais confusão, a que me deixa mais desorientada. Primeiro eu tentava não ingerir glúten. Lady... cala-te e come que tu não tens problemas nenhuns com glúten! (Cá entre nós, que ninguém nos ouve, eu realmente nem sei o que é o glúten, mas okaaayy). Depois decidi fazer aquela loucura do Whole 30. Loucura para mim que não me imagino a viver sem arroz! Sim, o meu problema era uma dieta sem arroz e não sem doces. De resto, acho que é uma estilo de vida muito saudável (cheio de comida do bem, como se diz agora) e foi isso que me habituou a ler os ingredientes de cada produto transformado - cheguei ao ponto de ler o rótulo de todos os vinagres do supermercado à procura de um que não contivesse sulfitos, true story! E também cortei nos refrigerantes (assim nem açúcares nem nada).

Agora... O que me faz confusão são as letras pequenas de alguns rótulos. A minha mãe comprou pistáchios, os únicos ingredientes eram pistáchios e sal, mas... havia uma acrescento de "pode conter vestígios de frutos secos". Como assim???? Então o pistáchio já por si não é um fruto seco? Ou querem dizer que numa embalagem de pistáchios pode aparecer uma avelã ou uma amendoim por engano? E no outro dia, no rótulo da saca do pão (e era pão normal, não era pão de forma industrial), tinha a indicação de "poderá conter ovos, leite e frutos de casca rija", entre outros. Ovos e leite?! Então era uma saca de pão ou uma saca de bolos?? Nozes? Então eu comprei meia dúzia de trigos e deram-me um bolo-rei?

E se eu for alérgica a alguma destas coisa?

Imaginem-me, na minha inocência, com vinte e dois anos e seis meses e meio, quando finalmente começo a ter cuidado com a minha saúde (já precária), por causa de uma bica com queijo que "poderia conter frutos de casca rija" aos quais eu seria alérgica e que supostamente não fazem parte da receita do pão, tenho um ataque anafilático e piiimba.

PAPEL VERDE

Mãe - Estás a ver, comprei estas caixinhas para oferecer na Páscoa em vez de amêndoas.

Eu - Está bem, mas agora precisas de fazer um embrulho giro que isso assim não tem piada nenhuma.

Mãe - Sim, sim, já tenho ali papel de embrulho.

Eu - Papel de embrulho? Que papel de embrulho?

Mãe - Papel verde!

Eu - Que papel verde? Ó mãe, eu estava a pensar num papel crepe ou papel de celofane, assim uma coisinha com graça, não uma coisa de natal...

Mãe (a ficar enervada) - É papel verde, é o que tinham na loja. Coisinha com graça... É PAPEL VERDE!!

Eu - Pronto...

Mãe (a dar uma de diva dramática) - Ai é, amanhã dou-te o dinheiro e compra lá o que quiseres e embrulha como quiseres!

[Pseudo-saída dramática da sala à cena de filme.]


8 de março de 2018

DESILUSÃO

Sou só eu que, quando me desmaquilho, acho que estou a arruinar uma obra de arte?